sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

III Open de Birigui U2200 - SP

Começa hoje às 14h, em Birigui – SP, o III Open de Birigui U2200. A Escola Municipal de Xadrez “Miguel Najdorf” em parceria com o SESC/BIRIGUI e Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, com total apoio da Prefeitura Municipal de Birigui e Federação Paulista de Xadrez, realizarão nos dias 05, 06 e 07 de dezembro o já tradicional “Open de Birigui U2200” – International Rating Tournament”. Válido para os rating FIDE, CBX e FPX.
A arbitragem estará a cargo do AI Ramon Arnal Carrasco Junior
Diretor do evento: Prof. Agnaldo Fuzetti
Local: EMEF Profa. Lucinda de Araújo Pereira Giampietro
Rua: Palmares, 346, Bairro Santo Antonio.
Ritmo de Jogo: 1h30min.
Premiação: R$ 1.000,00
1º lugar: R$ 250,00
2º lugar: R$ 200,00
3º lugar: R$ 150,00
4º lugar: R$ 100,00
5º lugar: R$ 80,00
6º lugar: R$ 70,00
Maiores informações, aqui:

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Entrevista com MF Wagner Guimarães (final), por Rafael Rafic

RR: No seu currículo ainda tem 3 títulos Estaduais absolutos em 96, 97 e 99. Apesar dos 8 anos de ressaca e domínio dos MIs Limp e di Berardino, ainda dá para tentar o tetra?
WP: Espero dar trabalho, eu ainda tenho muita lenha para queimar. O Diego (di Berardino) é um dos jogadores mais técnicos do Brasil, mas sempre vou incomodar.


RR: Ainda teve outros Interclubes sem ser os 20 fluminenses?
WP: Joguei 3 Interclubes Brasileiros, uma vez pelo Clube Naval e outras 2 pelo Grande Roque.

RR: Você ainda tem uma vasta experiência dos Jogos abertos de São Paulo, talvez a competição mais importante do xadrez brasileiro. Como é estar no meio dos maiores jogadores de xadrez do Brasil e, em certos casos, até de estrelas internacionais?
WP: Sim, já jogaram inclusive Nikolic e Salov. É uma atmosfera muito boa, já analisei partidas do lado dos melhores.

RR: Como é isso? Eles são muito arrogantes ou dá para conversar sem problemas?
WP: Olha, vou citar os legais para não criar polemica. Na verdade a petulância independe de classe. O Vescovi é muito legal, sempre conversamos muito. O Fier é mais tímido, Krikor é uma figura, amado por todos e o Diego é um exemplo. Do exterior eu tive boa impressão da Sofia Polgar e do Felgaer, muito legais.

RR: Mas já teve alguém que te desrespeitou?
WP: Vou citar um caso com um GM brasileiro que prefiro não citar o nome. Eu estava jogando a final do brasileiro contra o Adriano Rodrigues em 1998 e pensei 52 minutos num lance de problema que salvava a partida. O Adriano ficou tão atordoado que me ofereceu empate em seguida.Esse GM não acreditou no resultado de empate e falou que minha posição era perdida e levou uma aula de analise perdendo em todas as variantes que dava. Afinal, eu pensei 52 minutos e não sou cego; ele só deu uma olhada rápida na posição. Quando ele perdeu na argumentação ele me disse que colocando no Fritz demoliria minha posição.Talvez tenha faltado a esse GM humildade.

RR: Falando em brasileiro, você já disputou algumas finais do Campeonato Brasileiro de Xadrez. Nunca deu um frio na barriga em saber que estava disputando o título mais importante do país?
WP: Já disputei 5 vezes. Eu amarelei em 1997, que foi disputado só em 1998. Estava muito nervoso, foi em Copacabana e eu era convidado da organização. Parecia que entrei de favor e escutei até piadinha de um MI no torneio que achava que eu não tinha nível pra jogar. Alias, esse teve que esse teve que forçar uma repetição comigo para não perder. Mas o fato é que fui penúltimo jogando muito mal. No ano seguinte foi match eliminatório e fui eliminado nas rápidas depois de 1 a 1. Mas em 2000, em Brasília, já joguei muito bem e quase fui para o zonal sul-americano. Eram 6 vagas e fiquei em 7°. Em 2001, em São Paulo, já fui pior, mas estava muito forte. Por fim em Miguel Pereira fiz 5,5 em 9.Na verdade, individualmente só me faltou um brasileiro.

RR: Para terminar a parte de torneios, conte como foi a sua experiência nas Olimpíadas sub-26 em 1997?
WP: Foi fascinante. Nunca vi tantos jogadores fortes, titulados juntos. Inclusive, tenho uma historia engraçada.Eu cheguei uns 2 dias antes do torneio começar, o hotel foi bem legal não me cobrando diária e ainda almoçava e jantava, e tinha um grupo de estudantes jogando relâmpago no saguão. Pedi para jogar e fui massacrando todos com facilidade. Ai chegou um cara todo de branco, era médico. Massacrei-o também sacrificando torre, mas senti que jogava bem melhor que os outros. Perdi as 2 seguintes e, cansado, fui dormir.Quando alinhamos a equipe, descobri que o médico era o MI Diego Valerga, com 2 normas de GM na época. Pensei que também era capivara e só por isso sacrifiquei torre. Mas ele tinha quase 2500 de ELO.

RR: Saindo dessa parte e indo para algo mais pessoal. Você tem um temperamento muito forte, tendo sido parte de algumas discussões muito acaloradas. Em que isso te atrapalha?
WP: Em muita coisa. O cara sincero acaba se prejudicando em tudo. Tenho o defeito de defender os meus amigos. Alias, teve matéria neste blog que teve 39 comentários e, para variar, eu estava envolvido.Por outro lado sempre vou ser sincero, nunca vou armar uma armadilha.De mais a mais, hoje já que sou mais controlado. Filho nos amadurece.

RR: Teve algum caso específico importante que você se prejudicou bastante por isso?
WP: Fui suspenso nos abertos desse ano por 3 meses por ter chamado o arbitro de ladrão. O pior é que eu tinha 4 em 5 e era um dos maiores pontuadores.

RR: Você já sofreu algum preconceito por causa da sua cor de pele no xadrez?
WP: Francamente falando, só se for de forma velada. Senti mais preconceito social por ser pobre do que negro.Teve um caso curioso no NXN. Fui dar uma palestra lá e senti que muitos estranharam um professor negro, mas fui muito bem tratado por todos. Avaliar uma pessoa por cor de pele é a maior estupidez, nem ligo para isso. É bom ter a cara de capivara que eu tenho, assim me subestimam e eu ganho.

RR: Agora, como treinador. O que você procura com isso?
WP: Dar aula é um dom. Quando um aluno meu ganha, eu também ganho. O Daniel aprendeu a mover as peças comigo, quando o vejo ganhar um estadual é como se eu ganhasse junto.

RR: Qual foi a sua maior emoção, quando ganhou o estadual absoluto ou quando viu seu filho ganhar o brasileiro escolar?
WP: Quando o Lucas ganhou, fácil. Quando o Lucas deu mate pela 1ª vez também foi emocionante, com 4 anos sacrificou uma torre para dar mate.

RR: Hoje você se dedica mais ao seu lado treinador do que jogador. Alguma chance de mudar isso em um futuro próximo ou médio?
WP: Eu sempre estudo quando jogo por equipes, tenho que estar em forma. Além disso, analiso partidas de GMs todos os dias. Hoje eu me sinto em forma. Se eu for jogar o Campeonato do interior, será para ganhar. O Salamon (principal árbitro da FEXERJ) me disse em uma oportunidade que eu sou o maior ganhador de torneios da FEXERJ de todos os tempos. Isso me envaidece muito.

RR: Qual a sensação após de ser um dos melhores enxadristas do país, voltar e passara ensinar a arte de Caíssa que você tanto cultuou, mesmo que em alto nível, a outras pessoas, muitas delas ainda crianças?
WP: Não tem preço. Ver hoje um Igor Mourão encarar um MI André Diamant, o Lucas brigar por títulos na categoria dele. Alias, nossa equipe C1 tem 3 títulos brasileiros e 1 pan-americano escolar. É muito legal motivar essa garotada.

RR: Tem algum plano em especial para o futuro?
WP: Formar novos jogadores e, de repente, jogar três torneios para norma de MI. Se eu passar perto da norma eu tento chegar.

RR: Rápidas. Partida mais bonita da carreira, em sua opinião?
WP: Uma que ganhei do Roland em um brasileiro por equipes, sacrifiquei dama por bispo para dar mate inevitável.

RR: Melhor torneio?
WP: Estadual absoluto de 1997, vitória com uma rodada de antecedência.

RR: Adversário mais marcante?
WP: Vitória sobre o Zambrana no mundial sub-26, depois de 7 horas de jogo.

RR: Para o match de candidatos, Topalov ou Kamisky?
WP: Eu não tinha dúvidas, hoje acho que, se houver, Kamisky ganha.

RR: Obrigado mestre pela ótima entrevista.
WP: Obrigado a você. Sempre muito inteligentes as perguntas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

I Torneio Internacional Vale do Marangá – 6ª rodada

A competição está sendo realizada no JTC, Rio de Janeiro, Shuring fechado, nos dias 25, 26, 27, 28, de novembro e 01, 02, 03, 04, 05 de dezembro de 2008. A organização é do Praça Seca Xadrez Clube, valido para rating FIDE, CBX e FEXERJ, registrado na CBX Id 565/08, o Diretor da prova é o Jornalista Waldemar Costa, Arbitro Geral é o AR Elcio Conte Lofredo Mourão id CBX 291, Auxiliado por AA Edinilda Florentino Pimentel id CBX 279, o ritmo de jogo é de 2 horas Ko.
Hoje teremos a 6ª rodada que está prevista para início às 19h00. O destaque está sendo o MF Eduardo Arruda com 5 vitórias. Segue resultados e fotos dos participantes:


Líder MF Eduardo Arruda






Resultados da 2ª rodada, aqui:

Resultados da 3ª rodada,
aqui:

Resultados da 4ª rodada,
aqui:

Resultados da 5ª rodada, aqui:

Emparceiramento da 6ª rodada, aqui:

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Alegria Brilha....BI-CAMPEÃO !!!!!

A Alegria brilha nos olhos de quem sabe curtir a emoção de simplesmente viver e quem sabe vencer... Viva com disposição e entusiasmo, fazendo o que gosta e realizando seus sonhos!!


Para trabalhar em equipe temos que ter um grande senso de organização e principalmente companheirismo, essa é a base do sucesso de um grupo de trabalho, quando tudo isso é associado a motivação e amor pelo trabalho que faz são as virtudes de profissionais que caminham para liderança. (Luis Alves é coaching e consultor de carreiras)

Agradeço todos os e-mails, mensagens e telefonemas. Muito obrigado !!!

domingo, 30 de novembro de 2008

33º Interclubes 2008 – Resultado Final

BI-CAMPEÃO !!!!!!!
Depois de 11 meses de trabalho, chegou a hora de colocar a prova nossa competência no 33° Campeonato Estadual Interclubes da FEXERJ. Agradecemos a participação de todos os jogadores pela brilhante atuação das 4 equipes no torneio que culminou no tão almejado bi-campeonato geral do Clube de Xadrez Mendes. A 2ª estrela da camisa já está caminho!!!

Equipe Classe A - 3º LUGAR
Igor Mourão, Wagner Guimarães, Elcio Mourão, Silvio Oliveira e Pedro Paiva

Equipe Classe B - CAMPEÃ

Yuri Mourão, Alexandre Sigrist, Wallace, Daniel Rangel e Pietro

Equipe Classe C1 - VICE-CAMPEÃ
Guilherme, Ricardão, Ricardo, Gilvan, Wile, Felipe e Israel
Equipe Classe C2 - CAMPEÃ
José Neto, Vinícius, Lucas Peixoto, Thiago, Ana Carolina, Rafael Rafic e Flávia
Classe A
Resultados da 4ª rodada, 5ª rodada e 6ª rodada.

Classe B
Resultados da 4ª rodada, 5ª rodada e 6ª rodada.

Classe C
Resultados da 4ª rodada, 5ª rodada e 6ª rodada.

33º Interclubes 2008 – Resultados do 1º dia

Na AABB Tijuca, com a presença de quase todos os Clubes de Xadrez do Estado do Rio de Janeiro. Segue resultados e emparceiramentos.
Classe A
Resultados da 1ª rodada, 2ª rodada e 3ª rodada.
Emparceiramento da 4ª rodada.

Classe B
Resultados da 1ª rodada, 2ª rodada e 3ª rodada.
Emparceiramento da 4ª rodada.

Classe C
Resultados da 1ª rodada, 2ª rodada e 3ª rodada.
Emparceiramento da 4ª rodada.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lista das equipes para o Interclubes 2008

A FEXERJ divulgou, agora, a relação das equipes inscritas para o Interclubes 2008.

Lista compelta das equipes, aqui:

Regulamento, aqui:

Edital de Convocação de Assembléia Ordinária para Eleição do Presidente da CBX

O Presidente da Confederação Brasileira de Xadrez, CBX, no uso de suas atribuições estatutárias, vem convocar as Federações filiadas no gozo de seus direitos, conforme artigo 21 dos Estatutos, para a Assembléia Geral Ordinária, a se realizar em 29 de dezembro de 2008, em São Paulo, às 18 horas, em primeira convocação com maioria absoluta de participantes, e às 18h30’ em segunda convocação, com qualquer número, à Rua Joinville 515, Ibirapuera, São Paulo, Estado de São Paulo, com a seguinte ordem do dia: Item primeiro: Eleição do Presidente da CBX para o período de 2009 a 2012, dos membros do Conselho Fiscal, e homologação da nomeação dos Vice Presidentes da CBX indicados pelo novo Presidente.
Item segundo: Comunicações.

Cada Federação será representada por seu Presidente, em exercício regular, ou por procurador devidamente qualificado por documento registrado em poder da CBX antes da data da Assembléia.

Conforme inciso IV, do §3º do Art 21, sòmente poderão participar das Assembléias Gerais, as “federações filiadas com direito a voto e que tenham atendido as exigências legais e estatutárias”. Por essa determinação, teriam direito a voto, condicionado à verificação da satisfação das condições legais e estatutárias, as seguintes Federações: AM, PA, RO, RN, PA, MA, PI, CE, RN, PB, PE, SE, BA, ES, MG, GO, MT, MS, TO, RJ, SP, PR, SC, RS.

Para exercerem o direito de voto, conforme os Estatutos, nos vários itens do mesmo § 3º, do artigo 21, as Federações devem comprovar, o pagamento já realizado da anuidade e demais taxas de filiação devidas a CBX. Para a conferência dessa comprovação, a CBX requer o envio das informações necessárias, comprovantes de pagamentos e forma de cálculo, de acordo com o Regulamento de Taxas da CBX, até o dia 15 próximo. As Federações devem ainda comprovar que estão em condições legais de funcionamento.

Além disso, não cumpriram as exigências estatutárias do item V, do mesmo parágrafo 3º, do artigo 21 dos Estatutos, as seguintes Federações: Maranhão, Mato Grosso e Santa Catarina, Rondônia e Tocantins.

Sergio Silva de Freitas
Presidente da CBX

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Relação das equipes para o interclubes do CXM

Por mais limitados que sejamos, precisamos da convicção de que fazemos diferença, para melhor, neste mundo. Para alcançar grandes sonhos, não podemos dispensar as forças do amor, da fé, da esperança. E juntarmos a elas a perseverança e diligência contínuas.

Segue relação por categoria,

Equipe A, aqui:

Equipe B, aqui:

Equipe C1, aqui:

Equipe C2, aqui:

O único derrotado é aquele que desistiu de lutar.

Quadro de Medalhas - Olimpíadas de Xadrez

O Quadro de Medalhas na Olimpídas de Xadrez ficou assim:

No Masculino
No Feminino

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

I Torneio Internacional Vale do Marangá – 1ª rodada

A competição está sendo realizada no JTC, Rio de Janeiro, Shuring fechado, nos dias 25, 26, 27, 28, de novembro e 01, 02, 03, 04, 05 de dezembro de 2008. A organização é do Praça Seca Xadrez Clube, valido para rating FIDE, CBX e FEXERJ, registrado na CBX Id 565/08, o Diretor da prova é o Jornalista Waldemar Costa, Arbitro Geral é o AR Elcio Conte Lofredo Mourão id CBX 291, Auxiliado por AA Edinilda Florentino Pimentel id CBX 279, o ritmo de jogo é de 2 horas Ko.
Regulamento, aqui:
Lista dos Participantes,
aqui:
Resultados da 1ª rodada, aqui:
Partidas da 1ª rodada, aqui:

terça-feira, 25 de novembro de 2008

38º Olimpíada de Xadrez, Alemanha 2008 - Resultado Final

Encerrou a Olimpíada de Xadrez, em Dresden, realizada nos dias 12 a 25 de Novembro de 2008, no Congresso Internacional Center Dresden, Saxônia, Alemanha. No aberto o campeão foi Armênia, seguido de Israel e Estados Unidos. No feminino a campeã foi Geórgia, seguido de Ucrânia e Estados Unidos.
O Brasil no masculino ficou na posição de nº 54.
O Brasil no feminino ficou na posição de nº 48.

Todos os resultados, aqui:

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Entrevista com MF Wagner Guimarães (1 parte), por Rafael Rafic

Após a entrevistar o filho, o pai. Finalmente chegou a hora deste blog entrevistar o extrovertido, e por vezes polêmico, MF Wagner Peixoto Guimarães, grande expoente do nosso clube. Para quem acha que essas entrevistas estão ficando por demais caseiras, já adianto que estamos tentando uma entrevista em dezembro com um ótimo MI de fora do clube.

Rafael Rafic: Para começar o que já está virando tradição: nome completo, data e local de nascimento:
Wagner Peixoto: Wagner Peixoto Guimarães, nasci no dia 26/05/1971 no Rio de Janeiro.

RR: Você não vem de família com tradição enxadrística, como o xadrez cruzou sua vida?
WP: Eu tinha primos e um tio que sabia mover as peças e na verdade a beleza das peças me cativou, devia ter uns 12 anos. Aprendi com um desses primos, na verdade meio errado já que ele não fazia movimentos especiais como roque e etc.

RR: Como se deu o salto de um primo que nem roque sabia para um devorador de livros de xadrez?
WP: Eu ganhei de um tio um livro chamado “Xadrez Básico” do Orfeu D’Agostini, muito conhecido no meio enxadrístico, e um jogo de peças de madeira que tenho até hoje. Também tinha um amigo que jogava vários jogos comigo e, depois de jogarmos com outros amigos o WAR, ele vendo o meu xadrez no quarto me perguntou se eu sabia jogar. Eu falei que sim, mas na verdade eu só sabia o que meu primo me explicou. Joguei e perdi em 4 lances com o famoso mate ao pastor. Achei o meu amigo um gênio de xadrez por isso, como perder em um minuto? Com isso finalmente abri o livro e achei na pagina 22 esse mate que ele me deu se não me falha a memória. Ali começou a dedicação e depois de dois meses eu já ganhava dele.
Passado algum tempo apareceu na televisão um torneio de xadrez chamado cuca legal no ano de 1985, patrocinado pela Rede Globo. Esse torneio era uma febre, com mais de 600 crianças do estado inteiro só na 1 fase. Foi no Colégio Pedro II em São Cristóvão e me lembro que fui eu, esse amigo e o professor desse amigo. Infelizmente não fui para a 2ª fase, pois eram necessários 5 pontos em 8 e eu fiz 4. Mas fiquei contente com meu resultado, já que esperava perder todas.
Eram 2 cuca legais por ano: esse foi o de inverno, depois teve o de verão em outubro.Tinha uma amiga da minha mãe a qual viria a ser minha professora de historia depois no 2 grau que tinha um filho federado, Daniel Arendt, infelizmente já falecido. Ele me emprestou alguns livros e meu nível deu um salto absurdo. No Cuca Legal de verão fiz 5 em 5 e nem precisei jogar as outras rodadas, me classificando para a 2ª fase com os federados. Nela fiz 4,5 em 8 e fui o 2° colocado entre os não federados até 14 anos e isso foi uma grande motivação. Eu me lembro que na 1 rodada joguei com um federado que perguntou o meu rating e eu retruquei “O que é rating?”. Ele me olhou com uma cara de nojo e falou que o dele era 1289, o que me deixou morrendo de medo. Como o cara era capivara, eu ganhei dele.
Depois desse torneio recebi uma carta da Rede Globo para jogar um torneio Schuring (todos contra todos) com 16 jogadores em que os 5 melhores se federavam. Eram 15 cansativas rodadas em apenas 2 dias. Fui o 4° colocado nesse torneio e então me federei pela Associação Atlética Rede Globo.
Então recebi em casa uma carta para jogar o Interclubes de 1985, que sequer sabia o que era na época. O clube tinha 2 equipes C fortíssimas mas só tinhas um jogador B, então, como o regulamento permitia na época, fui completar a equipe B. Ainda era na época da suspensão então foram 9 rodadas em 4 finais de semana, mas eles me davam pelo menos o dinheiro para a passagem e lanche. Era divertido.

RR: Em algum momento você chegou a ter um professor de xadrez?
WP: Não, fui autodidata. Depois que dei um salto fantástico, o Silvio Resende falou que foi meu professor, mais na verdade ele me orientava como estudar com a didática dele e me deu muitos livros também na época, mas não chegou a me dar aulas. Eu tinha dificuldades financeiras enormes para jogar xadrez.

RR: Era isso que ia perguntar. Como você conseguia o dinheiro suficiente para jogar?
WP: Às vezes meus pais tinham e como eu ia até mal vestido para as competições sempre alguém me dava sem eu pedir. Pode parecer falsa modéstia, mas se eu tivesse um apoio massificado na época eu seria no mínimo um MI. Tinha um talento absurdo, não falo por soberba

RR: Mas quando você percebeu que daria ganhar a vida com isso?
WP: Na verdade eu só queria ganhar como qualquer adolescente e tomei uma decisão de melhorar meu nível jogando contra os melhores. Eu já tinha um rating de 1448 que me colocava com chances de ganhar o sub 14, mas preferi jogar o Carioca sub-20 pois era mais forte. Antigamente o carioca classificava para o estadual.

RR: Mas em algum momento, você tomou a decisão de fazer do xadrez sua profissão. Quando foi isso? Ou foi algo que se concretizou aos poucos?
WP: Foi com os títulos e eu precisava ganhar dinheiro. Comecei a dar aulas timidamente e depois fiz um curso de professor no congresso da FIDE em 1993. Formei, graças a deus, vários campeões: Daniel Rangel ganhou 5 estaduais, Israel 3. Tenho bastante títulos com alunos também.

RR: Voltando atentamente ao Interclubes. Após 23 anos como federado você já jogou 20 Interclubes. Você lembra por onde jogou todo os 20?
WP: AARG 1985 e 1986, Clube Municipal de 1987 a 1991, ALEX 1992, AXAMA 1993, CNAV 1994 a 1997, CXGR 1998 a 2000, 2001, IBC em 2002, NXN em 2003 e 2004, IBC de novo em 2005, 2006 CXGR e 2007 Clube de Xadrez Mendes. Foram 3 títulos por equipes com o Grande Roque, 1 com a AXAMA, 1 com o IBX e 1 com CMUN.

RR: Classe A desde quando?
WP: 1989

RR: Com toda essa experiência, você deve ter opiniões sobre as questões mais polêmicas do atual formato do Interclubes. Então vamos a elas. Você é a favor de 2h de pensamento e 3 dias ou 1h de pensamento e 2 dias?
WP: O melhor é sempre 2 horas, é mais técnico. Mas sei das dificuldades dos clubes do interior, então temos que fazer uma ponderação.

RR: Mas você acha que essa diferença de tempo de reflexão causa muita diferença nas classes B e C?
WP: É preciso exercitar o tempo desde as categorias de baixo, o problema é a adaptação. Por exemplo, uma pessoa que sempre jogou os escolares com 20 min para cada jogador não vai saber administrar o tempo nos primeiros jogos de 1 hora, mas é preciso disciplinar que o xadrez é um esporte intelectual e difícil. Tem que ter tempo para pensar, essa é minha opinião.

RR: Você é a favor da pontuação da Classe A ser 50% maior do que o resto para a pontuação geral?
WP: Sim, o nível técnico é maior.

RR: Por fim, você é a favor da contratação de jogadores de fora do Rio para jogar o Interclubes?
WP: Sim, acho que melhora o nível técnico. Vejam a liga espanhola com Ivanchuk jogando, por exemplo. O Interclubes é um torneio diferenciado em todos os aspectos, por isso você tem de se despir de vaidades muitas vezes. Eu tenho orgulho de fazer parte de algo em 1991 que, ao meu ver, nunca mais será repetido quando o CMUN ganhou as 3 categorias no mesmo ano. Ainda teve a C2 fazendo dobradinha e B2 em 3° lugar.
Eu treinava muito pesado essa equipe, o Silvio Rezende pode comprovar. Mendes teve sucesso porque a maioria dos jogadores queria ser uma família.

RR: Mas como ser família com jogadores contratados que não conhecem seus companheiros?
WP: O querer é independente disso. Quando se convoca uma seleção de xadrez para ir a uma Olimpíada, muitos não se conhecem tão bem, mas todos querem a medalha. O importante é o objetivo comum.

RR: Já que você tocou em Mendes. Qual a importância para uma cidade do interior um título como o do Interclubes 2007?
WP: Enorme. Atrai a prefeitura, patrocinadores e o fato é que Mendes nem tem 5 anos de existência. O Elcio faz um trabalho irrepreensível e não falo para “puxar saco” porque não sou assim. Muitas vezes discordamos, mas a competência dele é indiscutível. Na verdade qualquer capitão de equipe tem de ser chato para dar certo. Eu sou exigente em vários aspectos e ainda tem gente que acha que não entendo de Interclubes.

RR: Alias, você e Elcio trabalham juntos e tem muitos objetivos comuns, mas existem muito atritos, inclusive eu mesmo presenciei um forte há dias atrás. Como vocês lidam com eles, afinal de contas no final vocês sempre se ajeitam?
WP: Vou dar um exemplo. O São Paulo é o líder de futebol e deve ganhar o brasileiro, infelizmente. Teve muita briga interna para demitir o técnico e o presidente manteve pé firme. Montar essa equipe foi o desafio mais difícil que tive, com muitos jogadores no mesmo nível. Fiquei dois dias calculando a melhor formação e espero ter acertado. Sempre vou pensar no melhor do clube, dessa vez não foi diferente.

RR: Você recebeu propostas muito boa para sair de Mendes esse ano, inclusive financeiramente, o que te manteve no Clube de Mendes?
WP: Acho que a palavra de honra que tive com o Elcio. Eu joguei por Franca os regionais de São Paulo e falei que jogaria o interclubes por Mendes. Além disso, tem o carinho que todos tem pelo meu filho.

domingo, 23 de novembro de 2008

Estadual Feminino do Rio de Janeiro

O Estadual Feminino foi realizado no dia 22 de novembro, no Colégio Gonçalves Dias – Nova Iguaçu, com arbitragem de Manoel Migueis. A jogadora Eliana Aparecida de Souza (PSXC) foi a campeã, a vice-campeã Joyce Pereira Costa (IBC), 3º lugar Fernanda Servian (CXV), 4º lugar Janete Aparecida e em 5º lugar Beatriz Martins (IBC). Total de 05 participantes, num torneio Shuring. Informações do AN Eduardo Arruda.

sábado, 22 de novembro de 2008

Resultado do Estadual Escolar - Baixada

Realizado no dia 22 de novembro, no Colégio Gonçalves Dias em Nova Iguaçu, com organização da FEXERJ e arbitragem de Manoel Migueis.
A Escola Campeã foi o Colégio Gonçalves Dias - Baixada, seguido do Colégio C.E.DR. João Nery -Mendes e em 3º lugar Colégio Alfa CEM, da Cidade do Rio.


Destaco a participação do aluno José Francisco Neto, 7º ano do C.E.C. Olivier Furtado - Mendes, que venceu em sua categoria todas as três etapas, Volta Redonda, Mendes e Baixada.

Os campeões foram:

Ensino Fundamental - Masculino
1º, 2º e 3º Ano - Campeão: Wellerson (C. Gonçalves Dias)
4º e 5º Ano - Campeão: Ricardo Vilalba (Colégio Alfa CEM)
6º e 7º Ano - Campeão: José Neto (C. E. C. Olivier Furtado)
8º e 9º Ano - Campeão: Cassiano (Colégio Alfa CEM)

Ensino Fundamental - Feminino
1º, 2º e 3º Ano - Campeã: Letícia Vilalba (Colégio Alfa Cem)
4º e 5º Ano - Campeã: Elisa Cunha (C.Gonçalves Dias)
6º e 7º Ano – Campeã: Nathália (C.Gonçalves Dias)

8º e 9º Ano - Campeã: Érica (C.E.João Nery)

Ensino Médio Masculino
Campeão: Davy Gaia (CIEP Máximo Gorlin)

Ensino Médio Feminino
Campeã: Nathália Paula(C.Gonçalves Dias)

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

“Xadrez e guerra não são coisas de mulheres”

Entrevista de Levon Aronian, publicado no jornal alemão "Berliner Zeitung", no qual explica e responde perguntas como:
Você é capaz de tirar conclusões sobre o caráter de seu oponente quando você vê-lo jogar?

Como é que caracterizam os computadores no xadrez?

No xadrez, é bom ser feliz ou infeliz no amor?

Entrevista de Christian Schwager e Markus Lotter.
Tradução: Nadja Woisin.

Toda entrevista e suas respostas: ChessBase

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

33º Interclubes 2008


Vem aí o Campeonato por Equipes da FEXERJ 2008, nos dias 29 e 30 de novembro. O regulamento geral do torneio, aqui:

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

FIDE - Topalov x Kamsky, Match


FIDE anuncia que foi alcançado um acordo para a organizar o Match entre Topalov e Kamsky. Houve um acordo total entre FIDE e os jogadores em todos os aspectos do jogo.
O Match será em Sofia, Bulgária, de 16 a 28 de fevereiro de 2009 com um prêmio de US $ 250.000, que será igualmente dividido pelos jogadores. Ambas as equipes concordaram com as seguintes nomeações:
Comitê de apelação:
Nigel Freeman (RIC) presidente
Boris Kutin (MNE)
Vanik Zakarian (ARM)
Árbitros:
Ignatius Leong (SIN)
Ashot Vardapetian (ARM)
Match Supervisor:
Hal Bond (CAN)

terça-feira, 18 de novembro de 2008

38ª Olimpíada de Xadrez, Alemanha 2008

A Olimpíada de Xadrez está sendo realizada, em Dresden, de 12 a 25 de novembro de 2008, no Congresso Internacional Center Dresden, Saxônia, Alemanha.

São 156 equipes envolvidas a partir de 152 nações, os principais jogadores mundiais estão representando o seu país. Notavelmente a ausência do Campeão do Mundo Vishy Anand (Índia) e, por outro lado, o número 1 do mundo está presente, GM Veselin Topalov (Bulgária).

Hoje é dia livre e na 6ª rodada o Brasil enfrentará o México no masculino e no feminino o Tadjiquistão. A participação do Brasil está assim após a 5ª rodada:


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Maracanã, futebol e... problemas de xadrez! Por Leo Mano

- Quantos anos têm o Maracanã?

Foi assim que eu comecei a primeira aula de xadrez para crianças num CIEP da periferia do Rio de Janeiro. A turma, com 12 alunos ficou muda e todos se olhavam para ver quem falaria primeiro. "O que isso tem a ver com xadrez?", poderiam estar pensando ou, pior ainda, "o Maracanã tem idade?

Quando nós nascemos, o Maracanã já existia. Ele sempre estava lá! Portanto, minha pergunta não fazia o menor sentido e, como imaginei, ninguém ali sabia a resposta.

- "O Maracanã foi construído para a Copa do Mundo de 1950", expliquei didaticamente. "Ele tem quase 60 anos de idade".

Admito que me diverti com a expressão de surpresa de todos e, após alguns segundos para que absorvessem aquela revelação, mandei outra pergunta esquisita:

- Quantos anos tem o flamengo?

Essa, então, nem os rubro-negros na sala sabiam, mas, novamente, fui o mais didático possível: "O Flamengo foi fundado em 1895 e, portanto, tem mais de 100 anos!”.

- Quantos anos tem o futebol?

A esta altura, a turma nem tentava mais arriscar um palpite. Ficava apenas aguardando a minha resposta: "O futebol moderno, com regras bem parecidas com as de hoje, foi criado no século XIX. O goleiro só passou a existir em 1871. O impedimento, os dois tempos de 45 minutos e o pênalti só vieram depois! O futebol moderno tem quase 200 anos".

- Quantos anos tem o Brasil? – continuei, sem dar fôlego ao pessoal...

- O Brasil foi descoberto em 1500! - Gritou um menino quase que imediatamente.

- Muito bem! O Brasil tem 508 anos. E... Quantos anos tem o jogo de xadrez?

Veio, então, uma chuva de tentativas: 100, 80, 200, 500... Um engraçadinho até sugeriu mil anos! Quando eu disse que o xadrez tinha, na verdade, 1500 anos de idade, houve um misto de indiferença e surpresa. Mil e quinhentos anos parece muito, de fato, mas... Também não parece muito diferente de 200 anos... Ambos são tempo pra "chuchu"!

- Como é que sabem que o xadrez tem 1500 anos? - perguntou um aluno desconfiado.

Tentei explicar das descobertas de peças muito antigas encontradas por arqueólogos (os mesmos que desenterram ossos de dinossauros e ruínas de cidades antigas) e falei de livros muito antigos também.

Um dos livros de xadrez mais antigos que se conhece é, na verdade, um manuscrito. Ele foi produzido em meados do século XIII, provavelmente em torno do ano 1260. Ele é chamado "Bônus Socius" e contém uma coleção de problemas de xadrez de vários autores (na maioria árabes, um dos primeiros povos a jogar xadrez na face da Terra).

Naquela época, as regras do xadrez já eram quase iguais como as de hoje e, assim, alguns problemas podem ser experimentados sem nenhuma necessidade de adaptação.

Brancas jogam e dão mate em 2 lances (bonus Socius. Séc XIII).

Este é um problema com quase 800 anos de idade e já revelava os principais fundamentos dos problemas modernos: Para atender o desafio (mate em apenas 2 lances), as brancas só possuem uma única possibilidade. Tente descobrir qual é o primeiro lance branco (o único capaz de resolver o enigma)!

Uma dica: Outra característica desse problema (que se ajusta com os problemas modernos) é a sutileza da chave realizada com um lance nem um pouco óbvio...

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